Começa a valer a suspensão imposta pela União Europeia (UE) às importações de produtos de origem animal vindos do Brasil, afetando as cadeias de carne bovina, frango, suína, pescados, mel e ovos. A medida decorre da exclusão do país da lista de conformidade sobre o controle de antimicrobianos. Segundo o bloco, o mecanismo brasileiro de fiscalização é insuficiente para garantir a ausência dessas substâncias usadas como promotoras de crescimento ou reservadas à medicina humana.
Contexto e Bastidores Políticos
A decisão foi anunciada pela UE após a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, gerando reações no agronegócio brasileiro, que classifica a medida como ato protecionista impulsionado por produtores locais europeus.
- Posição Europeia: A Confederação Italiana de Agricultores (Cia-Agricoltori Italiani) declarou apoio ao bloqueio, alegando a necessidade de “regras e condições iguais para todos”. A Itália é o principal comprador individual de carne bovina brasileira na UE em volume.
- Países Vizinhos: Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar normalmente para o bloco.
Medidas de Adaptação do Brasil
O Ministério da Agricultura e as entidades do setor produtivo reestruturaram os protocolos de rastreabilidade para comprovar o não uso de substâncias proibidas em todo o ciclo de vida do animal.
- Carne Bovina: A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) adotou um protocolo de rastreamento do nascimento ao abate. No entanto, a retomada total do rebanho sob as novas regras pode levar entre 24 e 36 meses.
- Frango: A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçou a fiscalização em granjas e fábricas de ração. Por ter um ciclo produtivo curto (cerca de 45 dias) e estrutura já segregada para exportação, o setor projeta um retorno mais ágil.
- Mel: Com crescimento expressivo na Europa após a aplicação de sobretaxas nos EUA, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) foca no rigor contra a contaminação cruzada por áreas vizinhas à pecuária.
Próximos Passos e Perspectivas
Uma auditoria da União Europeia avalia as cadeias de frango e mel no Brasil. O relatório final deve ser concluído e submetido à análise do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (SCoPAFF) nos próximos dois meses, com reuniões decisivas previstas para novembro.
Enquanto a liberação não ocorre, as entidades brasileiras planejam o redirecionamento de cargas para o mercado interno e para destinos alternativos nas Américas, Ásia e Oriente Médio.
